segunda-feira, 14 de maio de 2018

Brincadeira de Criança (VIII) Conservatória RJ


Tocar minha vida para a frente,
Custe o que custar, ser diferente!
À moda da viola, bem devagar,
Sem nunca deixar de muito amar.


Quiçá, deva permanecer entre pequenos,
Constatar que valho, para uns, de menos.
Importa esta descoberta? Deus me ama!
O acréscimo é o que interessa na alma.






Não sucumbir às intempéries,
Não desistir das alegres séries,
Resitir bem à má investida triste,
Ter muita dó dos dedos em riste!


Namorar o encanto da doce vida,
Apreciar, de toda riqueza, a mais bela.
Espiar sutil, formosamente da janela,
Despir-me de todo artifício na lida.


Ser vovó muito feliz, agradar todos netinhos,
Da melhor maneira que souber, sem medos,
Aproveitar e saborear meninos nos ninhos,
Um dia voarão... como lindos passarinhos!

O cântico da Terra
Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.
Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.
Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.
A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.
(Cora Coralina)




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