segunda-feira, 14 de maio de 2018

Brincadeira de Criança (II) Foz do Iguaçu PR



Sou fera ferida, pássaro alado, vibrante,
Jamais piso em alguém para dar troco,
Não gosto de pisar no próximo, é oco!
Sou tão feliz sem precisar ser chocante!


Sou como uma coelhinha bem  ligeira,
Alegro-me com pouco, de toda maneira.
A vida não me amargou o suficiente.
Gosto muito de ser assim: diferente!


A criatividade me alegra, sem pressa,
Observo a tudo, a todos, olho à beça!
Pouco me incomoda o tempo lá fora,
O que conta mesmo é ser feliz, bora?

Há dentro de mim uma paisagem
entre meio-dia e duas horas da tarde.
Aves pernaltas, os bicos
mergulhados na água,
entram e não neste lugar de memória,
uma lagoa rasa com caniço na margem.
Habito nele, quando os desejos do corpo,
a metafísica, exclamam:
como és bonito!
Quero escrever-te até encontrar
onde segregas tanto sentimento.
Pensas em mim, teu meio-riso secreto
atravessa mar e montanha,
me sobressalta em arrepios,
o amor sobre o natural.
O corpo é leve como a alma,
os minerais voam como borboletas.
Tudo deste lugar
entre meio-dia e duas horas da tarde.
(Adélia Prado)


Sou fera ferida...


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