terça-feira, 5 de julho de 2016

Vivia?

Na vida,
Não teve seu próprio pedaço,
Seu quinhão.
Vivia sempre de migalhas,
Sobretudo migalhas de amor. 
Quando sobrava um tico, 
Um naco para ela, 


Regalava-se um pouco
De tão pouco que era.
Sua morte era diária...
Ela acontecia no seu sofrimento
Cotidiano, 
Solitariamente vivendo, 


Incompreendida por ser defensora 
De um modo de vida pessoal, 


Uma opção que lhe deu
De presente o Senhor da vida.
Por ter medo de tantas coisas, 
Medos não infundados, 


Medos esses que vinham 
De uma vasta experiência profunda 
Dos seres humanos, 


Da profunda falta de amor 


Que habitava no fundo 
Do coração do ser humano 


Criado pelo Amor 


Feito para o AMOR,
Preferia estar só.
Sua morte para as delícias da vida, 
Sua morte para o amor
Dava-se aos poucos.
Ela era tão novinha 
O amor foi-lhe tirado do coração, 


Brutalmente arrancado dela.
O tempo encarregava-se
De renovar essa dor 
Ainda sentida fortemente 
Dentro do seu peito 


Como se nela estivesse
Cravada uma espada.
Seus olhos, cheios de lágrimas eram
Pelo amor que morrera
Para ela há anos.
Seu coração esteve num luto eterno. 
Havia dor 
Muita tristeza em si. 


O que lhe ofendia, 
Magoava, traía, 


Matava pureza dentro do seu eu, 


Era egoísta a ponto
De só pensar em si,
Nos seus interesses.
Essas razões são algumas
Das suas mortes diárias
Pela vida afora.
Sempre dissera que, depois de morta, 
Ninguém precisaria mais chorar
À beira do seu túmulo.
Aí seria tarde,
Ela não poderia mais dizer:
Eu te amo. 
Muito menos amar...
Seria uma pena!
Perderiam o sabor
Do seu amor verdadeiro,
Puro e cristalino.
Perde-lo-iam
Ela também estaria morta
Para as pessoas.
Pedia, em suas orações:
Simplesmente uma serva inútil seria!
Que nunca morresse
Para a necessidade do seu próximo.
Sendo assim, estaria morta,
Definitivamente?

3 comentários:

  1. Profunda e triste história de vida de Zuleika que em seu egoísmo e com a perda de um amor arrancado pela vida, fechou-se, morria a cada dia. Porém, esse morrer era relativo já que até na vontade, mesmo após morta, continuaria a servir ao próximo...


    Lindo,Rosélia! bjs, ótimo dia,chica

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  2. Uma história triste,mas que na realidade o que Zuleika desejava era sempre servir ao próximo.
    Adorei Rosélia.
    Bjs-Carmen Lúcia.

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  3. "Que nunca morresse para a necessidade de seu próximo". Isso basta! Um forte abraço!

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