quarta-feira, 20 de junho de 2012

Visita à Casa Paterna (Luís Guimarães)




Como a ave que volta ao ninho antigo,

Depois de um longo e tenebroso inverno,

Eu quis também rever o lar paterno,

O meu primeiro e virginal abrigo:


Entrei. Um gênio carinhoso e amigo,

O fantasma talvez do amor materno,

Tomou-me as mãos,- olhou-me, grave e terno,

E, passo a passo, caminhou comigo.


Era esta a sala…(oh! Se me lembro! E quanto!)

Em que da luz noturna à claridade,

Minhas irmãs e minha mãe…O pranto


Jorrou-me em ondas… Resistir quem há de ?

Uma ilusão gemia em cada canto,

Chorava em cada canto uma saudade.


(Luís Guimarães)

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