sexta-feira, 25 de maio de 2012

Mal Secreto - Raimundo Correia



MAL SECRETO


Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!

(Raimundo Correia)

5 comentários:

  1. O que nos falta é transparência.
    Um grande abraço

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  2. Lindo poema, bela postagem, escolhestes muito bem.
    Um abraço e bom final de semana

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  3. Bonito soneto, grata pela partilha!

    Beijinho,
    Ana Martins

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  4. Um belo soneto.

    Abraços, saúde e paz interior.

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  5. Existem muitas máscaras por aí. Um belo e forte poema.

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