OUTONO
Ouso falar do outono
Pois de repente
Se fez noite
Se fez embaçado o tempo
Se traduziu em cores marrons ou neutras escurecidas...
O tempo presente
O minha atual linha cronológica
A dor da saudade
A partida súbita
O cinzento do coração
É ou não é outono, então???
Falar do que experimento é fácil
Condizente
Expressivo
Nada a temer, pois
Nada de mentira ou disfarce
Ao exprimir em palavras
O ciclo outonal que se me vai na minh'alma.
Vida cinzenta e amarga,
Por que me persegue???
Frio gélido e inconsequente,
Por que se impõe a querer congelar o meu eu???
Não vê que vem fora de hora???
Desproposital...
Desconexo...
Sem senso...
Atrevido...
Vem, estação mais tênue,
Afagar o meu ego
Enternecer os meus poros
Enriquecer a minha pobre existência mortal...
Outono descomunal
Que represa os meus sentidos
Dando um tremor pelo que poderia vir a ocorrer
Sem pedir licença vai entrando
De fininho
Como se fosse o rei
Das estações espirituais do percurso do meu viver...
Outono, deixe o meu sentir em paz!!!
Exale o odor suave a futura desde já
Estou pronta a desabrochar
Custe-me o que for
Romper o meu casulo existencial.
Senhor, deixe passar o outono em minh'alma!!!